Sondagem Conjuntural do Setor Elétrico e Eletrônico - Abril/2021




Os principais indicadores da indústria eletroeletrônica apontados na sondagem de conjuntura realizada no mês de abril de 2021 permaneceram favoráveis.


Destaca-se que os resultados obtidos em relação ao mês de abril de 2020 contaram com uma base fraca de comparação. Vale lembrar que abril e maio do ano passado foram os meses que apontaram os piores resultados do ano devido aos efeitos da pandemia de Covid-19.


Ainda que com cautela e mesmo com uma série de dificuldades que a indústria vem enfrentando, principalmente no que se refere à aquisição de componentes e matérias-primas, as perspectivas continuam otimistas. Os empresários do setor esperam que a retomada da atividade permaneça nos próximos meses.


Para 2021, 86% das entrevistadas projetam crescimento em comparação a 2020. Esse foi o maior percentual apontando desde o início dessa pergunta na sondagem realizada em setembro do ano passado.


Ainda para este ano, 13% esperam estabilidade e apenas 1% estão prevendo queda.

Os principais indicadores da indústria eletroeletrônica apontados na sondagem de conjuntura realizada no mês de abril de 2021 permaneceram favoráveis.


Neste levantamento, observou-se elevação de 70% para 77% no número de entrevistadas que citaram crescimento nas vendas/encomendas em comparação com o igual período do ano passado. Concomitantemente a isso, as indicações de retração caíram de 18% para 11%.


Destaca-se que os resultados obtidos em relação ao mês de abril de 2020 contaram com uma base fraca de comparação. Vale lembrar que abril e maio de 2020 foram os meses que apontaram os piores resultados do ano devido aos efeitos da pandemia de Covid-19.


Ao verificar as vendas/encomendas em abril de 2021 em relação ao mês imediatamente anterior, nota-se redução no percentual de empresas que relataram crescimento, passando de 58% para 36% e aumento de 15% para 34% nas indicações de queda.


Mesmo assim, a maior parte das entrevistadas registrou negócios conforme (47%) ou acima (27%) do esperado.


Foi favorável a elevação de 19% para 22% no número de empresas que aumentaram seus quadros de funcionários. Destaca-se que esse foi o maior percentual deste ano.

Notou-se também diminuição de 10% para 8% no total das pesquisadas que citaram redução no número de empregados.


Conforme dados do Novo Caged, o nível de emprego da indústria eletroeletrônica aumentou 2.285 postos de trabalho no mês de março de 2021, alcançando 259,3 mil trabalhadores,. Esse resultado é o saldo do nível de emprego do setor, ou seja, a diferença entre admissões e desligamentos.


Destaca-se que essa foi a terceira elevação consecutiva, acumulando incremento de 11,2 mil vagas de trabalho ao comparar com dezembro do ano passado (248,1 mil).


Vale lembrar que, com exceção do mês de dezembro de 2020, o nível de emprego da indústria eletroeletrônica vem aumentando desde junho do ano passado.


No comércio internacional, aumentou de 59% para 61% o número de empresas que citaram crescimento nas exportações.


Os dados da SECEX/ME mostraram que exportações de produtos elétricos e eletrônicos somaram US$ 468 milhões no mês de abril de 2021, 53% acima das registradas em abril de 2020 (US$ 307 milhões).


Neste caso também, a forte taxa de incremento contou com a já citada base fraca de comparação (abril de 2020) decorrente da pandemia da Covid-19.


Dessa forma, as exportações de produtos elétricos e eletrônicos somaram US$ 1,6 bilhão no acumulado de janeiro-abril de 2021, 11% acima das ocorridas no mesmo período do ano passado (US$ 1,5 bilhão).


No caso das importações de produtos do setor (US$ 3,1 bilhões), a elevação de 38% no mês de abril de 2021 também foi influenciada pela base fraca de comparação (abril de 2020).

No acumulado dos primeiros quatro meses de 2021 o incremento das compras externas foi de 19%, somando US$ 12,7 bilhões.


Ainda nessa sondagem, a utilização da capacidade instalada ficou praticamente estável, com redução de um ponto percentual, passando de 78% em março, para 77% em abril.


No que se refere ao crédito, entre as empresas que utilizam financiamentos para capital de giro, foi observado o quarto aumento consecutivo no número de entrevistadas que relataram dificuldades na sua obtenção, passando de 5% em dezembro de 2020 para 32% em abril de 2021. Apesar do incremento, esse percentual permaneceu muito abaixo dos 67% verificados em abril do ano passado. A dificuldade no acesso ao crédito foi um dos principais entraves encontrados pelas empresas no início da pandemia.


Ainda referente aos financiamentos para capital de giro, a maior parte das empresas, ou seja, 74% das entrevistadas não utilizam esses recursos.


Neste levantamento, recuou pela segunda vez seguida o número de entrevistadas que relataram pressões em alguns custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros, que estava em 53% em fevereiro e passou para 40% em abril. Essas quedas interromperam o ciclo de oito elevações consecutivas. Apesar do recuo, este resultado permaneceu muito acima dos 14% registrados em junho de 2020.


Essa sondagem também identificou que algumas empresas estão enfrentando gargalos logísticos, tais como os atrasos no envio de cargas nas exportações, citado por 26% das entrevistadas que exportam.


No caso das importações, 43% das pesquisadas que realizam compras externas relataram atrasos no recebimento de cargas.


Conforme as empresas do setor, esses entraves foram verificados em diversos portos e aeroportos no Brasil, tais como: portos de Santos (SP), Vitória (ES), Rio Grande (RS) e aeroportos como Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas – SP), Florianopólis (SC), Afonso Pena (PR), Salgado Filho (RS). Essas dificuldades também foram relatadas nos portos e aeroportos em diversas regiões do mundo como na Europa, Estados Unidos, Hong Kong e China.

Ainda nesse levantamento, 31% das empresas perceberam aumento nos custos de armazenamento de cargas em galpão.


Componentes e matérias-primas

Nesta última pesquisa caiu, pela segunda vez consecutiva, o número de empresas que estão com estoques abaixo do normal, que passou de 31% em fevereiro para 16% em abril no caso de componentes e matérias-primas, e de 30% para 18% nos produtos acabados, neste mesmo período.


Em ambos os casos, vem aumentando a indicação de situação de normalidade de estoques, atingindo 66% das entrevistadas no que se referem aos componentes e matérias-primas e 65% nos produtos acabados.


Neste levantamento, voltou a aumentar o número de empresas que relataram dificuldades na aquisição de componentes e matérias-primas em função da falta destes itens no mercado. Notou-se que este percentual havia recuado de 73% em fevereiro para 66% em março, e voltou a subir em abril, atingindo 69%, percentual ainda muito elevado.


Vale lembrar que esses entraves vêm sendo mencionados desde meados do ano passado.

Entre os insumos mais citados destacaram-se os componentes eletrônicos provenientes da Ásia, que foi relatado por 58% das entrevistadas, aumento de 14 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior (44%).



Os componentes eletrônicos provenientes de outras origens foram citados por 30% das pesquisadas que estão com dificuldades na aquisição de insumos.


Além dos componentes também foram identificadas outras matérias-primas que estão em falta no mercado, tais como: papelão, com 52% de indicações; materiais plásticos (44%); cobre (44%), aço carbono (26%), alumínio (24%), latão (24%), aço silício (16%), entre outros.

É importante destacar que continuou aumentando o número de empresas que perceberam pressões acima do normal nos custos de componentes e matérias-primas, passando de 87% para 93% das entrevistadas. Este foi o maior percentual apontado desde o início dessa pergunta na sondagem em maio de 2010.


Conforme as entrevistadas, entre os principais responsavéis pela elevação nos custos de componentes e matérias-primas destacaram-se a escassez desses itens no mercado (78%) e o incremento nos preços dos fretes marítimo e aéreo (71%).


Nota-se que esses fatores superaram as indicações da desvalorização cambial, citada por 66%.


Algumas empresas também mencionaram a variação da LME (London Metal Exchange).



Nesta pesquisa também foram identificadas as dificuldades que as empresas do setor estão enfrentando devido à falta de componentes eletrônicos no mercado, tais como o atraso na produção e na entrega, citado por 40% das entrevistadas e até mesmo paralisação parcial da produção, relatada por 6% das pesquisadas.


Ainda no que se refere a essa questão, 26% não alteraram a produção e entrega, 16% não utilizam componentes eletrônicos e 10% não estão sentindo falta destes itens no mercado.

É importante ressaltar que, assim como ocorreu nos levantamentos de fevereiro e de março, nenhuma empresa informou paralisação total da produção devido à falta de componentes eletrônicos.


Entre as principais alternativas que as empresas estão utilizando para contornar essa situação para manter a produção, destacaram-se:


Busca de fornecedores alternativos no mercado nacional e internacional, mesmo com maior custo, citada por 53% das entrevistadas;

Renegociação da entrega com os clientes (50%);

Utilização de fretes áereos (38%);

Antecipação de pedidos para os fornecedores (38%);

Tentativa de desenvolvimento de fornecedores alternativos (35%);

Compras emergenciais em distribuidores independentes (35%);

Elevação de estoques (33%);

Revisão de possibilidade de alteração de componente eletrônico utilizado (30%);

Aquisição de itens importados por terceiros (8%);

Viabilização de produção própria (3%).



Mesmo com essas medidas, as empresas comentaram sobre a dificuldade de encontrar alternativas devido ao alto grau de dependência nas importações de componentes eletrônicos.


Expectativas

Ainda que com cautela e mesmo com uma série de dificuldades que a indústria vem enfrentando, principalmente no que se refere à aquisição de componentes e matérias-primas, as perspectivas continuam favoráveis. Os empresários do setor esperam que a retomada da atividade permaneça nos próximos meses.


As atenções estão voltadas ao controle do coronavírus, à vacinação em massa e às medidas do governo para minimizar os efeitos da pandemia.


Também são aguardadas as urgentes aprovações das reformas que reduzam o Custo Brasil criando condições adequadas para produção e geração de empregos.


Conforme dados da CNI agregados pela Abinee, no mês de abril o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico apontou a quarta queda consecutiva. Apesar disso, o ICEI do setor (53,4 pontos) permaneceu acima da linha divisória dos 50 pontos, demonstrando confiança do empresário industrial do setor.


Vale adiantar que a CNI já divulgou o ICEI da Indústria Geral referente ao mês de maio, que apontou recuperação, interrompendo a sequência de quatro quedas seguidas. Os dados setoriais serão publicados na ultima semana deste mês.


Na sondagem de abril de 2021, do total de empresas pesquisadas, 78% esperam crescimento em maio de 2021 em comparação com maio de 2020.


Para o 2º trimestre de 2021, esse percentual sobe para 82% e para 1º semestre de 2021 aumenta para 85%, sempre comparados com iguais períodos do ano passado.


É importante lembrar que o 2º trimestre do ano passado pode ser considerado uma base fraca de comparação visto que o setor havia sido fortemente afetado pelos efeitos da pandemia naquele período.



Para 2021 as expectativas estão otimimistas, com, 86% das entrevistadas projetando crescimento em comparação a 2020. Esse foi o maior percentual apontando desde o início dessa pergunta na sondagem realizada em setembro do ano passado.


Ainda para este ano, 13% esperam estabilidade e apenas 1% estão prevendo queda. Neste último caso, também, esse foi o menor percentual desde setembro de 2020.


Os resultados detalhados desta sondagem e a série histórica do levantamento estão disponíveis no site da Abinee em Economia e Estatísticas - Base de Dados Econômicos.


Fonte: Abinee

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