COGESC - Perguntas ShowCase 2020

Confira aqui algumas das perguntas que embasaram o ShowCase COGESC – realizado em Dezembro de 2020 – e como os especialistas que participaram deste encontro online responderam essas provocações!


Quais podem ser os melhores indicadores e KPIs para sinalizar o desempenho de um programa de saúde mental?


Wagner Lima – Sócio-fundador - Mindself


Eu vejo os indicadores em 2 aspectos. Aqueles que são de ordem mais reativa, ou seja, o quanto os colaboradores estão por exemplo buscando ajuda de médicos ou de psicólogos, seja através do plano de saúde, seja através de uma atendimento via online de telepsicologia – mas geralmente a maioria das pessoas que buscam esse tipo de apoio já estão com um problema instalado, acaba tendo um viés mais reativo. E a gente tem as outras métricas que podemos considerar de forma mais pró-ativa, preventiva. E aí está um dos grandes benefícios do programa de meditação que implementamos, que é exatamente ajudar as empresas a melhorar esses outros indicadores de experiência do colaborador, clima organizacional, engajamento, teamwork.(...)


É um grande desafio fazer a medição disso e ver o reflexo das ações que são tomadas, mas acho que é usar o que a empresa já utiliza tradicionalmente para medir. Eu costumo dizer que saúde emocional sempre foi um tabu nas empresas. A questão da saúde mental, saúde emocional, é um problema silencioso. Se a gente não desenvolver uma cultura para permitir que os colaboradores se sintam à vontade de expressar os problemas que eles estão enfrentando e buscar ajuda, a gente sempre vai ter esse tabu dentro das organizações, até por que as pessoas buscam tranquilamente ajuda para qualquer questão física, mas o quanto elas buscam ajuda quando estão começando a enfrentar uma síndrome do pânico, um quadro de depressão? Colocar esses indicadores para funcionar e trabalhar a cultura e conscientização da empresa – começando pela liderança – é super importante para criar um ambiente aberto nesse sentido.


Tania Abreu – Superintendente Médica - AxisMed


Essa questão dos indicadores sempre para a saúde mental as pessoas acreditam que não dá para tangibilizar a saúde mental, por ser subjetivo, mas não, dá para tangibilizar. A primeira questão a gente já tem conhecimento de que, quando se tem uma pessoa com transtorno emocional moderado a grave, você tem maior taxa de utilização de serviços e mais descompensação, por exemplo, de doenças crônicas que ela tem. Então uma pessoa que tem transtorno de pânico, depressão, ansiedade generalizada, ela geralmente tem o diabetes, a hipertensão, mais descompensada, ela tem uma maior utilização de serviços.


Quando a gente dá uma estabilidade maior a essa condição emocional, obviamente ela tem maior estabilidade da condição clínica, e isso reverte em menor utilização – isso impacta no ROI. Então, quando eu pensar em indicador de resultado financeiro, eu tenho como medir isso. A questão do desenho do programa para eu tirar uma fotografia do antes e do depois. Obviamente para isso eu tenho que ter processos muito claramente mapeados. A questão é: o quanto eu tirei uma fotografia e mapeei as pessoas com depressão e ansiedade e o quanto eu consegui migrar ela de um estado grave e moderado para um estado leve? Quantos das pessoas que não estavam em práticas meditativas e eu engajei elas em práticas meditativas e a partir disso ela teve um benefício? Quantas não estavam em terapia e engajaram a partir de uma iniciativa sistêmica? (...) Quantas pessoas engajaram em tratamento medicamentoso? A gente mede esses indicadores e mostra que, a partir desses processos, a gente teve um resultante no ROI.


Como trabalhar saúde mental nas organizações com budget limitado?


Sandra Gioffi – Diretora de RH – GSC


Nosso budget é muito restrito. Somos uma empresa pequena, que realmente controla na unha estes gastos. Eu acho que o importante é a priorização. A Carolyn Taylor, que cuida de cultura muito bem, que é referência de cultura no mundo, fala “me mostre seu extrato bancário e sua agenda e eu vou falar o que é prioritário para você”. Então é isso que a empresa tem que saber: em que ela está investindo tempo e dinheiro? Se a saúde do colaborador é importante, ela tem que botar o dinheiro ali, e tirar o dinheiro de outro lugar. E a outra coisa que também é importante, tirando o investimento, é pensar que em um momento de crise a gente precisa também rever a rota e aquilo que a gente ia fazer e investir a gente vai rever onde investir. Então tinha muita coisa que a gente ia fazer presencial e demandava investimento e treinamentos físicos, e que realocamos para coisas que a gente achou mais importante e também o treinamento virtual possibilitou. A gente de verdade acredita que o trabalho em cima da saúde mental, seja por Mindfulness, seja por um apoio Telepsico, seja por palestra, afeta e impacta o resultado da organização, afetando a produtividade, reduzindo o turnover e reduzindo a reincidência de casos de problemas ligados à saúde mental. Isso sim é uma justificativa de como estou investindo esse dinheiro.


Gisele Chiachio – Total Rewards - Bayer


Quando se fala em budget na organização é aquilo: “Meu Deus, sai correndo!” (risos). Como eu também trabalho na área de remuneração, nós somos bem cobrados por isso. Nós fizemos a realocação de alguns custos, mas buscamos muito trabalhar já com fornecedores atuais, com quem já tínhamos contato, e também utilizamos recursos internos. Hoje, por exemplo, quem faz as rodas de conversa, criamos um comitê de algumas pessoas chave que se candidataram, e a gente conduz essa roda. Organizamos os temas, procuramos dentro da organização profissionais que tenham aptidões e conhecimentos técnicos para liderar o tema. Fizemos worklife balance também, pela área de Recursos Humanos – as aulas de Yoga, tínhamos um parceiro, fornecedor de academia e, as pessoas não indo, houve uma alternativa online de Yoga, alongamento. Procuramos – da mesma maneira que fomos obrigados a nos reinventar – nós também contamos com a ajuda de nossos fornecedores para mudar um pouco a rota.


Quais pontos são importantes observar e gerir para evitarmos elevados índices de estresse e impactos mentais


Gisele Chiachio – Total Rewards - Bayer


O quanto cobramos os nossos colaboradores e fazemos com que eles entendam a importância da saúde e do bem estar? Quando olho e vejo os principais tópicos, eu vejo que o excesso de reuniões, de cobranças, tudo que é em excesso faz muito mal. Temos que ouvir quais as maiores dores e queixas, o que de fato a empresa consegue contribuir para que ele tenha uma qualidade de vida. Ouvi-los, procurar ter uma vida equilibrada, não trazer tanto tabu para o work life balance, o quanto é importante ter esse equilíbrio, redes de apoio e, enfim, o auto cuidado, que eu acho essencial.

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